Quinta-Feira, 16 de Agosto de 2018
Cidades
12/05/2018 11:28:00
Grávida espera duas horas por atendimento, troca de hospital e bebê nasce em seguida
Por pouco, o bebê não nasce na rua, sem suporte médico algum

TopMídia/PCS

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Nove meses de gestação e a ansiedade para um dos momentos mais especiais na vida de uma mãe, o nascimento de seu tão esperado bebê. Mas para Andressa* (nome fictício), 32 anos, a data se transformou em uma lembrança de agonia e desespero. Ela passou duas horas aguardando atendimento, não conseguiu e teve que mudar de hospital. Logo depois, a criança nasceu.

Andressa chegou ao Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian com a bolsa rompida por volta das 1h desta quarta-feira (9). Passou pela triagem e preencheu a ficha de atendimento, mas foi direcionada para aguardar atendimento. Cerca de duas horas depois, com muitas dores e preocupada com seu bebê, ninguém apareceu e ela, desesperada, deixou o local e foi para a Santa Casa. Por volta das 4h, Andressa deu à luz.

Quem relata a história é o acompanhante da gestante, José*. “Estou indignado com o atendimento da clínica obstétrica Rosa Pedrossian. O hospital não estava atendendo, mandando embora, falavam que as pacientes estavam se evadindo do local sem atendimento. Acha que quem está morrendo de dor vai querer sair do hospital? Achei um absurdo”, reclama.

José considera o caso como violência obstétrica e omissão de socorro, pois a criança corria o risco de morrer naquela situação. Para ele, a sorte é que a família tinha condições de transporte e recebeu atendimento na Santa Casa. Por pouco, o bebê não nasce na rua, sem suporte médico algum.

O que diz o hospital

Procurada pela reportagem, o hospital afirmou que a maternidade do HU tinha oito gestantes aguardando partos além da capacidade de leitos na madrugada de terça para quarta-feira.

“A maternidade do HU tem portas abertas para atender todos os pacientes que chegam, já que faz parte da Rede Cegonha do Ministério da Saúde. No entanto, não havia leitos disponíveis. Ou seja, não poderíamos tirar uma gestante para colocar essa mãe no lugar”, explica.

O hospital também negou negligência. “A equipe da Maternidade do HU (médicos e enfermeiros) é extremamente atenciosa com todos os pacientes e jamais seria negligente. A negligência é do poder público, de falta de políticas públicas para criação de mais leitos nos hospitais”.

A assessoria ainda completa que o problema é recorrente. “Entendemos que a gestante estava em um momento especial e que isso gera ansiedade e revolta. Mas o Hospital Universitário enfrenta superlotações diárias em todos os setores e não tem como fazer milagre para multiplicar leitos”.

* Os nomes foram alterados a pedido da família

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