Quinta-Feira, 13 de Dezembro de 2018
Ciência e Saúde
11/07/2018 13:00:00
Estudo aponta que sobreviventes do ebola sofrem de problemas neurológicos

Bem Estar/LD

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Pesquisa publicada na "Emerging Infectious Diseases" nesta quarta-feira (26) dá um panorama das sequelas deixadas pela infecção por ebola em sobreviventes. Dores de cabeça, Acidente Vascular Cerebral e enxaqueca debilitante estão entre os rastros deixados pela infecção. "Alguns sobreviventes são incapazes de cuidar de si mesmos", relata nota sobre a pesquisa.

A África viveu um grande surto de ebola entre 2014 e 2016. A epidemia provocou mais de 11.300 mortes entre quase 29.000 casos registrados, segundo a OMS.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Liverpool e King's College London, no Reino Unido, em parceria com pesquisadores de Serra Leoa (África Ocidental). "Sabíamos que uma doença tão grave como o ebola deixaria sobreviventes com grandes problemas", diz Janet Scott, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade de Liberpool.

"Me surpreendi ao ver pessoas jovens previamente ativas agora incapazes de mover metade de seus corpos, ou de conversar, ou de pegar seus filhos" -- Janet Scott (Universidade de Liverpool).

No total, pesquisadores observaram anotações de mais de 300 sobreviventes do ebola. Desses, cientistas selecionaram 34 pacientes. Eles foram submetidos a exame neurológico completo, triagem psiquiátrica e investigações especializadas -- incluindo imagens do cérebro.

O diagnóstico neurológico mais frequente foi o de enxaqueca, seguido por Acidente Vascular Cerebral e lesões nervosas periféricas locais. Dentre diversas disfunções psiquiátricas, cientistas diagnosticaram depressão mais grave e transtorno de ansiedade generalizada.

O conjunto de sintomas, dizem os cientistas, está sendo conhecido como síndrome do pós-ebola e é urgente a formação de profissionais que sejam capazes de lidar com todas as sequelas, afirmam pesquisadores.

"Nós encontramos um amplo conjunto de sintomas neurológicos e psiquiátricos, desde os menos graves aos mais incapacitantes", diz Patrick Howlett, um dos autores do estudo e pesquisador do King's College London.

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