Terça-Feira, 17 de Julho de 2018
Ciência e Saúde
16/04/2018 13:55:00
Medicamento para o câncer de pulmão duplica sobrevida de pacientes, diz estudo

Agência Brasil/LD

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Um medicamento que utiliza o próprio sistema imunológico para combater o câncer, o pembrolizumabe, dobrou a expectativa de vida de pacientes com um tipo específico de câncer de pulmão: o NSNSCLC. Esse tipo de tumor não apresenta alterações genéticas no gene EGFR ou ALK e responde por cerca de 55% dos cânceres de pulmão.

A nova droga foi combinada com quimioterapia e o estudo com os resultados foi publicado nesta segunda-feira (16) no "New England Journal of Medicine". A pesquisa foi coordenada por Leena Gandhi, diretora do programa de oncologia torácica da New York School of Medicine, e patrocinado pela indústria farmacêutica Merck.

Para chegar aos resultados do estudo, pesquisadores distribuíram aleatoriamente 616 pacientes com NSNSCLC. Eles não haviam recebido tratamento anterior. Parte dos participantes (405) recebeu quimioterapia pembrolizumabe; a outra parte (202) recebeu quimioterapia placebo.

Eventualmente, como o medicamento passou a apresentar benefícios, participantes do grupo placebo que tiveram avanço da doença passaram a receber o medicamento.

De modo geral, as taxas de sobrevida foram superiores nos pacientes tratados com pembrolizumabe. Esses pacientes também tiveram mais tempo de sobrevida em que ficou constatado que a doença não avançou.

Ainda, dos pacientes tratados com pembrolizumabe quimioterapia, o risco de morte foi reduzido em 51%, em comparação com aqueles tratados apenas com a quimio. Também entre os pacientes tratados com a terapia combinada, a chance de progressão em 48%.

Em relação aos meses vividos, pacientes do tratamento viveram em média quatro meses a mais que os pacientes do grupo placebo. Foram 8.8 meses, contra 4.4.

"Em outras palavras, a chance de sobrevida global dobrou", disse nota sobre o estudo.

"Os dados mostram que o tratamento com pembrolizumabe e quimioterapia é mais eficaz do que a quimioterapia sozinha", diz Gandhi, em nota.

Risco de lesão nos rins

Os cientistas observaram, no entanto, que o risco de lesão renal aguda foi levemente aumentado em pacientes que estavam recebendo a droga e quimioterapia (5,2% contra 0,5%).

De modo geral, os efeitos colaterais mais comuns experimentados por ambos os grupos foram náusea, anemia e fadiga.

O medicamento já é aprovado nos EUA para o tratamento do câncer de pulmão, com base em estudo anterior, de fase II, feito com menos pacientes. Pesquisadores apontam que a nova terapia se consolida como um novo padrão de tratamento nesses pacientes que não apresentam as alterações genéticas EGFR ou ALK.

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