Quarta-Feira, 26 de Abril de 2017
Coxim
07/04/2017 10:05:00
Rodeado de familiares e amigos, Léo se despede sorrindo
Leonardo morreu na madrugada desta quinta-feira (06), na Santa Casa de Campo Grande, em decorrência de problemas acarretados por uma pneumonia.

Sheila Forato

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Foto: Sheila Forato

Eu queria ser poeta, em vez de jornalista, para conseguir descrever o Léo. Porque falar que ele era sinônimo de amor é pouco, apesar da palavra ser uma imensidão. Como não sou, tomo a liberdade de emprestar um trecho do poema “Soneto de fidelidade”, de Vinícius de Moraes, que ao falar de amor escreveu: “Quero vivê-lo em cada vão momento, e em louvor hei de espalhar meu canto e rir meu riso e derramar meu pranto, ao seu pesar ou seu contentamento”.

Léo, o Leonardo Cassimiro Monteiro, partiu sorrindo, aos 9 anos. Impossível sentir tristeza ao lembrar de sua última imagem, na manhã desta sexta-feira (07). Deitado numa cama branca, com metade do corpo coberto por flores e a outra parte por um véu, Léo sorria em silêncio, como se quisesse alegrar as pessoas que o rodeavam, como se tivesse dizendo aos pais, eu estou bem, fiquem em paz.

Se aproximava das 9 horas quando os homens de preto chegaram. E quem garante que Léo não pensou que eles fossem os vilões dos desenhos que tanto gostava de assistir? É que nós, adultos, pensamos isso da morte e de tudo que tem relação com ela. Neste momento, os pais - Wilson Rogério Monteiro e Fabiana Cassemiro Monteiro – deram o último afago em Leo, que continuou sorrindo.

Foto: Sheila Forato

Da igreja Adventista da Promessa, ele partiu para sua última viagem, acompanhado de muitos amigos, para o cemitério Central. A caminha onde seu corpo descansava foi carregada por militares do Corpo de Bombeiros, amigos do papai, que também integra a corporação. De tão privilegiado, Léo foi enterrado no túmulo da família, a sombra de uma figueira e recebeu flores, delicadas margaridas, dos pais e dos avós.

O som do choro foi abafado pelos aplausos na despedida de Léo, que partiu sorrindo. Durante o velório amigos contavam histórias vivenciadas com ele. Portador de Síndrome de Down, Léo encontrou uma forma especial de se comunicar com as pessoas. “Ele sentia necessidade de tocar nas coisas e pegar nas pessoas. Era a maneira dele se doar um pouco para nós”, lembrou Jamila Jobin Samha, amiga da família.

Leonardo morreu na madrugada desta quinta-feira (06), na Santa Casa de Campo Grande, em decorrência de problemas acarretados por uma pneumonia. Ele foi socorrido pelos pais no Hospital Regional Álvaro Fontoura, em Coxim, que fez os primeiros atendimentos e encaminhou o paciente para a capital.

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