Terça-Feira, 25 de Julho de 2017
CPI da Saúde
04/05/2014 09:10:15
Antibióticos geram pragas mais violentas e obesidade, diz especialista
Neste mundo, nada é de graça, especialmente quando estamos falando de saúde.

Uol/AB

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Neste\n mundo, nada é de graça, especialmente quando estamos falando de saúde. \n Todos os exames, todas as incisões, e cada uma das pílulas que tomamos \n nos trazem benefícios e riscos. \n Em nenhuma área, a coisa pende mais obviamente para a direção errada do \n que no mundo das doenças infecciosas, a maior história de sucesso do \n século 20. Nós contamos com os antibióticos desde meados dos anos 1940 –\n praticamente desde que a bomba atômica foi criada, destaca o professor \n de medicina Martin J. Blaser – e o nosso maior erro foi não ter \n percebido há muito tempo os paralelos entre essas duas histórias. \n Os antibióticos controlaram boa parte de nossos velhos inimigos \n bacterianos: nós queríamos fazê-los desaparecer do planeta, e a dose foi\n cavalar. Mas, agora, estamos começando a sofrer as consequências. \n Aparentemente, nem todos os germes são maus – e existem alguns que são \n muito bons, na verdade. No livro "Missing Microbes" ("Os micróbios \n perdidos", em tradução livre), Blaser, professor de medicina e doenças \n infecciosas da Universidade de Nova York, apresenta uma série \n impressionante de razões que nos levam a repensar a destruição promovida\n nas últimas décadas. \n \n Pragas mais violentas\n Primeiro e mais importante: a guerra tem se tornado cada vez mais \n violenta. O uso imprudente de antibióticos resultou na resistência dos \n micróbios; médicos especializados em doenças infecciosas operam agora em\n um estado de quase pânico, uma vez que o tratamento de doenças comuns \n está exigindo medicamentos mais e mais poderosos. \n Em segundo lugar, como sempre, são justamente os espectadores \n desafortunados que mais sofrem com isso – não os seres humanos, vejam \n bem, mas as infinitas bactérias benevolentes e trabalhadoras que \n colonizam nossas peles e o interior de nosso trato gastrintestinal. \n Precisamos dessas criaturinhas para sobreviver, mas até mesmo algumas \n doses de antibióticos são o bastante para destruir seu universo, com \n mortes incalculáveis e paisagens devastadas. Às vezes, nem as populações\n nem seu habitat voltam a se recuperar plenamente. \n E, por fim, há um acúmulo desanimador de evidências de que a guerra \n contra as velhas pragas esteja levando simplesmente a guerras ainda \n piores contra uma série de novas pragas. \n Parte dos argumentos de Blaser já é bem conhecida, tais como a história \n do Clostridium, uma causa cada vez mais comum de diarreia. Essa condição\n surge quando os antibióticos eliminam a população microbiana normal de \n nossas entranhas, favorecendo um organismo produtor de toxinas. Às vezes\n é preciso usar ainda mais antibióticos para reestabelecer a função \n intestinal. Mas às vezes não há tratamento que funcione – nada além de \n preencher o intestino com fezes repletas de bactérias normais, uma \n estratégia que é o último recurso, mas que se mostrou bastante eficaz. \n Sem isso, pessoas totalmente saudáveis podem morrer. \n Menos conhecido é o paradoxo gerado por um pequeno organismo em forma de\n vírgula conhecido como Helicobacter pylori, que habita o estômago \n humano. Blaser é um dos maiores especialistas nessas "bactérias da \n úlcera", que estão associadas não apenas com as úlceras, mas também com o\n câncer do estômago. Estamos lentamente eliminando o H. pylori com \n antibióticos – e eles se tornaram bastante incomuns em países \n desenvolvidos. \n Mas à medida que desaparecem, destaca Blaser, uma pequena epidemia de \n doenças no esôfago é seguida de uma inflamação que pode causar azia e, \n até mesmo, câncer. Aparentemente, essa bactéria do mal também é boa e \n fundamental para proteger o esôfago humano. \n E isso está longe de ser tudo, pessoal.
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