Sábado, 16 de Dezembro de 2017
EDIÇÃO especial
28/03/2013 09:00:00
Do sonho a realidade, a força da indústria que ergueu uma cidade
O sonhado desenvolvimento era apenas uma questão de tempo, pois no final da década de 70 a Usina Aquárius iniciou a produção com aproximadamente 850 funcionários, comprovando que a indústria é a força da economia.

Sheila Forato

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Atualmente, usina planta 23 mil hectares de cana-de-açucar (Foto: PC de Souza)
\n No mesmo ano em que deixávamos de ser Mato Grosso, a Usina Aquárius, hoje Sonora Estância S.A., se instalava na região norte do Mato Grosso do Sul. Seduzidos pelo mercado, trabalhadores de diversas partes do Brasil migravam para a região localizada no território de Pedro Gomes, dando início a construção de uma vila. A expansão da indústria atraia cada vez mais, levando a vila à condição de distrito em 1985. Foram necessários apenas três anos para que o distrito de Pedro Gomes se transformasse no município de Sonora.
Foi assim que o coronel do Exército, Raul Kelvin Thuin, viu seu sonho transformado em realidade. Narra a história que em 1975, o comandante Maurício Coutinho Dutra doou 10 mil hectares para que seu sobrinho fizesse algo de útil para a nação brasileira. Ainda sem saber o que fazer, ao subir numa árvore, Thuin sonhou com crianças correndo, chaminés fumando e uma cidade se desenvolvendo.
O sonhado desenvolvimento era apenas uma questão de tempo, pois no final da década de 70 a Usina Aquárius iniciou a produção com aproximadamente 850 funcionários, comprovando que a indústria é a força da economia. Em 1981, o grupo Giobbi comprou parte da empresa, que passou a ser chamada de Cia Agrícola Sonora Estância, tornando-se de único dono em 2002. Aliada a usina veio à fábrica de açúcar Sonora, em 1994, e a Pequena Central Hidrelétrica Aquárius Energética S.A., em 2006, mesmo ano em que a usina passou a se chamar Sonora Estância S.A. Atualmente, as três empresas empregam 2.310 pessoas diretamente, no município que conta com 14.833 habitantes, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Prestes a completar 25 anos, a história do município se confunde com a da usina e revela dezenas de estórias contadas por pessoas que ajudaram construir a indústria, levantar a cidade e transformar o extremo norte de Mato Grosso do Sul.
Não foi preciso andar muito nas dependências da empresa para encontrar esses relatos. Na primeira visita à usina, na sala da Superintendência Agrícola, fomos surpreendidos com a história de vida do responsável por toda a plantação da empresa, que hoje é de 35 mil hectares, sendo 23 mil hectares de cana-de-açucar.
Cleiton Jarbas Valeis chegou ao município em junho de 1979, ainda solteiro, para corrigir a terra, que antes de receber a cana precisa ser amansada com culturas primárias. Foram necessários apenas cinco anos para ele deixar de ser encarregado e se tornar gerente da empresa. Com mais cinco anos, no início da década e 90, Valeis assumiu a Superintendência Agrícola, onde permanece até hoje. Em meio ao canavial, ele mostra fotos antigas, da época em que tudo começou.
Com pouco tempo de casa, Valeis se casou com Maria Auxiliadora Valeis, com quem teve dois filhos: Tassila, estudante de medicina, e Yuri, engenheiro agrônomo. Yuri Peixoto Barbosa Valeis, de 30 anos, até que tentou seguir os passos do pai na indústria, mas a vocação política falou mais alto e no ano passado ele foi eleito prefeito de Sonora. Pelos próximos quatro anos, o filho vai administrar o município que o pai ajudou a construir.
Estórias que narram a história
Em meio às milhares de pessoas que trabalham na empresa, as estórias foram se revelando, por meio de rostos anônimos, de pessoas que não tem intimidade com câmera fotográfica, gravador, jornalista e, consequentemente, muitas perguntas. Apesar de tímido, o encarregado de setor da oficina, Armindo Wendland, de 52 anos, aceitou parar o trabalho por alguns minutos e contar a sua história.
Sonora ainda era Pedro Gomes, em abril de 1982, quando Wendland ingressou na empresa, como motorista. Para ele, a oportunidade de crescer veio depois de cursar o EJA (Ensino de Jovens e Adultos), oferecido pela Sonora Estância S.A., através de parceria com o Sesi (Serviço Social da Indústria). “De um simples motorista passei para encarregado de setor da oficina e com isso pude dar conforto a minha família”, disse.
Com orgulho da posição que ocupa Wendland fala que tem casa grande e própria, equipada com tudo que uma pessoa precisa para viver confortavelmente. “Não sou natural daqui, mas me considero sonorense de coração, pois sou um cidadão, entre milhares, que ajudou a construir essa cidade”, enfatizou.
A poucos metros dele, trabalha José André Silvestre da Silva, de 31 anos, conhecido como “Beiço”, como prefere ser chamado. Alagoano, de São Miguel dos Campos, Beiço chegou a Sonora aos 14 anos, acompanhado da mãe e de seis irmãos. O pai, José Silvestre da Silva, de 52 anos, ficou em Alagoas resolvendo alguns problemas, mas poucos dias depois também migrou para Sonora.
Com a cidade em pleno crescimento, a família conseguiu emprego na Sonora Estância S.A. O patriarca não teve tempo de estudar, porém, com força de vontade deixou de ser cortador, passando a trabalhar no carregamento de cana-de-açucar.
Beiço também entrou na empresa pela mesma porta do pai: o corte de cana, mas hoje, ao finalizar seu expediente, ele pode se dar ao luxo de deixar a empresa pilotando sua motocicleta ou conduzindo seu carro, veículos conquistados com trabalho na indústria.
Da guarita para dentro, o ex-cortador de cana, que tentou ser jogador de futebol, é responsável por 145 máquinas pesadas da Sonora Estância S. A., como encarregado de setor da oficina. O passaporte para o cargo foi carimbado pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), por meio do curso de injeção eletrônica oferecido em parceria com a empresa. “Foi a base que tive para investir em outras capacitações, pois preciso estar em constante aprendizado para acompanhar os avanços tecnológicos”, frisou.
A única herança dos campos de futebol é a esposa, de quem ele fala com muito carinho. De acordo com Beiço, o mais importante é que através de seu trabalho ele consegue dar uma vida digna à mulher e ao filho, de 3 anos. “Quero dar ao meu filho tudo que meu pai não pode fazer por mim”, salientou Beiço, que ainda encontrou tempo para se graduar em administração de empresas.
Além de Beiço, José Silvestre da Silva tem outros três filhos trabalhando na Sonora Estância S.A. – Adriano, que é soldador; Ana Maria no corte de cana-de-açucar e Alex, que é operador de máquinas. São estórias que contam a história. Relatos que narram a biografia de Sonora, uma cidade criada pela força da indústria e pela capacidade de sua gente. Estórias contadas por um povo que refaz o mesmo caminho há 36 anos, produzindo álcool, açúcar e, principalmente, o desenvolvimento.
É a mão desse povo que traduz o desenvolvimento em números. Para a safra de 2013/2014 a expectativa é que a Sonora Estância S.A. produza 1,6 milhão de toneladas de cana-de-açucar, 70 milhões de litros de álcool e 1,6 milhão de sacos de açúcar.
Parceria
Durante visita à Sonora, no mês de janeiro, o presidente Sérgio Longen ressaltou que as ações da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) fazem diferença na vida do trabalhador. Os exemplos de Wendland e Beiço são apenas dois de muitas transformações ocorridas por meio da capacitação profissional oferecida no município.
A partir do próximo ano as ofertas devem ser maiores, por conta de uma parceria com a Sonora Estância S.A., que doou terreno para que a Fiems construa a Agência de Formação Profissional do Senai e de uma Biblioteca da Indústria do Conhecimento do Sesi.nbsp;
O sistema Fiems pretende ofertar 577 vagas, sendo 439 gratuitas, em 21 cursos nas modalidades de aprendizagem industrial, iniciação, aperfeiçoamento, qualificação e técnica. Além dos cursos, a Federação também desenvolve ações nas áreas de educação, cultura, esporte, lazer e saúde, assim como os projetos “Na Ponta da Língua” e “Arte no Canteiro”.
Ao doar o terreno, o empresário Francisco Giobbi enfatizou que é um entusiasta de toda proposta que leve o desenvolvimento para Sonora. “Podemos vislumbrar um futuro ainda mais promissor para a cidade, que deve atrair mais empreendimentos com a mão-de-obra que será capacitada”, finalizou.nbsp; \n \n
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