Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
Eleições 2018
20/10/2018 08:31:00
WhatsApp notifica empresas por disparo em massa de mensagens nas eleições

O Globo/LD

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O WhatsApp notificou extrajudicialmente, nesta sexta-feira, empresas que enviaram mensagens em massa com o objetivo de influenciar eleitores. De acordo com o aplicativo de mensagens, as companhias violaram os termos de uso da plataforma. O WhatsApp não informou o nome das empresas notificadas, mas fonte ligada ao aplicativo afirmou que estão sob investigação a Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, mencionadas em reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" como responsáveis pelo envio de mensagens de ódio contra o PT nessas eleições. Segundo essa fonte, além das notificações, estão sendo coletadas provas das irregularidades nos servidores do Whatsapp.

Segundo a empresa, alguns números relacionados a essas empresas já haviam sido banidos da plataforma antes da publicação da reportagem da "Folha de S. Paulo". O WhatsApp acrescentou que já vinha eliminando "proativamente centenas de milhares de contas durante o período das eleições no Brasil.”

"O WhatsApp está tomando medidas legais imediatas para impedir empresas de enviar mensagens em massa via WhatsApp", disse, em nota em resposta ao GLOBO, o WhatsApp. ”Temos tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal para que não possam ser usadas para espalhar spam ou desinformação”, acrescentou.

Também nesta sexta-feira, o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro, reclamou ter sido banido da plataforma. Ele, no entanto, informou pouco tempo depois que teve o perfil reativado .

“A perseguição não tem limites!”, afirmou Flávio Bolsonaro, pelo Twitter. “Meu WhatsApp, com milhares de grupos, foi banido DO NADA, sem nenhuma explicação! Exijo uma resposta oficial da plataforma”.

O WhatsApp confirma que a conta de Flávio Bolsonaro foi banida "por comportamento de spam" há alguns dias, não tendo relação com as denúncias desta quinta-feira. O senador eleito chamou a ação do aplicativo de censura, e disse que seu telefone é pessoal, e não tem qualquer relação com as empresas acusadas. Outra conta banida por spam durante o período eleitoral foi o "Dilmazap", perfil criado antes do primeiro turno das eleições pela campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao Senado de Minas.

Na quinta-feira o jornal “Folha de S. Paulo” publicou reportagem afirmando que empresas teriam comprado pacotes de distribuição em massa de mensagens para beneficiar a campanha de Jair Bolsonaro, o que poderia configurar crime eleitoral, por se tratar de doação de campanha não declarada por empresas, vedada pela legislação.

De acordo com a “Folha de S. Paulo”, contratos de até R$ 12 milhões foram feitos por empresários com empresas que prestam o serviço de “disparo em massa”. Jair Bolsonaro se defendeu, em vídeo transmitido pelo Facebook, dizendo que “não precisa de fake news para combater Haddad” e negou ter feito qualquer pedido a empresários para disseminar notícias falsas.

Já o candidato do PT acusou o adversário de ter criado uma organização criminosa para distribuir mensagens falsas pelo WhatsApp contra o partido. Disse ainda que recebeu informações de que Bolsonaro pediu, em jantares com empresários, esse tipo de apoio à sua campanha.

— Vamos levar ao conhecimento da Justiça todos os indícios, alguns que estão nos chegando agora de reuniões em que ele (Bolsonaro), de viva voz, pediu o apoio via WhatsApp. Ele próprio, em jantares com empresários, fez o pedido para que a doação fosse feita dessa maneira, de forma ilegal - afirmou o candidato, depois de participar de um ato com juristas em São Paulo, na noite de quinta-feira.

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