Sexta-Feira, 22 de Fevereiro de 2019
Esportes
09/02/2019 10:52:00
Dedé revela negociação para que José Aldo enfrente Volkanovski no UFC 237, em Curitiba, em maio

Combate/LD

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José Aldo já tinha revelado, mesmo antes de nocautear Renato Moicano no UFC Fortaleza no último sábado, que pretende estar no UFC 237, no dia 11 de maio, em Curitiba. Mas foi o seu treinador e empresário Dedé Pederneiras quem revelou, em participação no programa “Confraria da Porrada”, quem seria o possível adversário no Paraná. A expectativa é que o ex-campeão peso-pena enfrente o australiano Alexander Volkanovski, lutador invicto na organização com seis vitórias.

  • A gente queria que ele lutasse com o Alexander Volkanovski, que foi o cara que nocauteou o Chad Mendes, e que é o cara mais bem ranqueado. A gente tem um sonho de disputar o título, que é difícil, mas existem duas possibilidades: o Holloway subir de categoria e deixar o cinturão vago, e o Aldo seria o postulante porque é o primeiro do ranking, e até pela história que tem. Ou a gente eliminar todos os contenders. O Moicano era o primeiro contender, e o segundo seria o Volkanovski, o quarto do ranking agora. O Frankie Edgar não acredito que eles deem pelo título, até por ter perdido para o Aldo. O cara que na nossa cabeça seria o próximo desafiante ao título seria o Alexander agora. A gente está pedindo, estamos conversando - afirmou Dedé Pederneiras.

Quarto colocado no ranking, Volkanovski tem 30 anos e um cartel com 19 vitórias e apenas uma derrota. Em novembro de 2016, em sua primeira luta no UFC, o australiano venceu Mizuto Hirota por decisão unânime, e depois bateu Shane Young, Jeremy Kennedy, Darren Elkins e, por fim, Chad Mendes no UFC 232, em dezembro passado.

Dedé acredita que, caso Aldo bata todos os possíveis adversários do campeão Max Holloway, se colocará na condição obrigar uma trilogia ou fazer o Ultimate colocar um lutador mal ranqueado para ser o adversário do havaiano.

  • A gente já sabe que está f***. A única chance que a gente tem é essa situação. Já que o brinquedo não fica com a gente, pelo menos a gente destrói o brinquedo dos outros, vou furar a bola (risos). Deixa eles botarem o décimo do ranking para disputar o título, dali para baixo o Aldo ganhou de praticamente todo mundo. O único que o Aldo não lutou até o sétimo do ranking - fora o Volkanovski - foi o Ortega, e não vão botá-lo para disputar o título ele vindo de derrota (...). Se a gente pegar o Alexander agora, eles vão ter que botar o oitavo, nono, sei lá, para disputar o título, senão não vai ter quem botar.

No que depender de Volkanovski, essa luta tem tudo para acontecer. Imediatamente após a vitória de José Aldo, ele foi às redes sociais e demonstrou interesse num duelo com o brasileiro. Lembrando que sua última luta foi no dia 29 de dezembro, quando nocauteou Chad Mendes.

  • Fiquei sabendo que você está procurando uma volta rápida - escreveu o australiano.

Já sobre a luta com Renato Moicano em Fortaleza, Dedé citou que já conhecia o adversário de Aldo desde o Shooto, onde o brasiliense lutou em 2012. Na ocasião, ele empatou com Felipe Froes, da Nova União.

  • Desde o início sabíamos que seria uma luta muito dura, o Moicano já conheço há muito tempo, já lutou no Shooto. O empate que ele tem foi com um garoto lá da academia e esse garoto é muito duro. E aí depois que ele foi para o UFC, e principalmente depois que foi para a American Top Team, você vê que deu um salto bem grande. É o tipo de luta que a gente não gosta de fazer de brasileiro com brasileiro, acho que podemos fazer outras, mas chega uma hora que vai afunilando e só dá para passar um no funil. O Aldo estava muito bem treinado, chegou muito bem, perdeu o peso numa tranquilidade absurda, acho que nunca o vi perder o peso tão bem. É (um sofrimento), mas acho que com ele é uma dificuldade muito mais mental, de estar de saco cheio.

Ao analisar o primeiro round, Dedé viu um equilíbrio e revelou o que disse a José Aldo antes da volta fulminante do ex-campeão, que nocauteou Moicano em 44 segundos no segundo assalto.

  • O primeiro round foi realmente bastante colado, tanto é que, se você ouvirem o áudio, chego para o Aldo e falo: “Foi um round muito colado, pode ter ido para um lado ou para o outro, eu acredito que você ganhou, mas você não pode contar com isso”. Acho que não apareceu o áudio falando: “Você está jogando de uma distância que é a distância dele, ou você joga dentro para tirar a vantagem que ele tem do tamanho, ou você vai ficar só nesse empate de toca e sai, e ele, por conta do tamanho, às vezes chega primeiro”. E aí já foi logo para dentro, tanto que quando ele jogou o direto e o Moicano jogou um joelho que passou bem perto, o cruzado dele - que é um golpe que normalmente não acerta um cara que tem uma envergadura maior - acertou, porque já estava tão dentro que quando cruzou acertou ali dentro. Depois que ele acertou aquele golpe, a gente já tinha visto que o Moicano, em todas as lutas que fez, toda vez que recebia um golpe se fechava e, por ser um cara grande, entre mão e cotovelo ele conseguia fechar muito bem, e é difícil você acertar a cabeça dele. Falei: Se acertar alguma mão - isso treinamos direto no camp - ou bate na barriga ou chuta as pernas. E aí ele foi feliz de bater na barriga e foi feliz de ele (Moicano) se abrir mais ainda e começou a acertar um atrás do outro.

O treinador e líder da equipe carioca Nova União também disse não acreditar que o árbitro tenha se precipitado em parar a luta. Para Dedé, a vitória de José Aldo já estava encaminhada àquela altura.

  • Muita gente falou que não deveria ter parado, poderia ter dado mais uma chance, mas é o que o Conan (Silveira, treinador do Moicano e líder da ATT) falou, dois ou três segundos a mais não mudaria, porque ele não esboçava uma reação nem de agarrar e nem de se proteger, tanto que o árbitro falava com ele por diversas vezes e ele não se protegia. Ele chegou no penúltimo soco a virar de costas, tanto que o Aldo acertou meio que a nuca dele porque já estava virando de costas. Ainda deu um outro soco que o juiz entrou e não pegou. Por mais que deixasse ele tomar mais dois ou três socos, não acredito que naquele momento ele pensasse em agarrar para clinchar ou trocasse. Acho que ele ia continuar tentando se proteger, mas ele estava sem a noção que não estava se protegendo. Na cabeça dele, estava ali tranquilo, mas não estava, provavelmente ele viu depois que estava sem guarda para bloquear os socos e muitos estavam entrando. Não vi como erro do árbitro. O problema todo é que nós brasileiros temos aquele negócio de lutar até a morte, e aí prefere morrer do que ter uma luta paralisada que você acha que consegue continuar - concluiu.
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