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Brasil
23/05/2017 07:41:00
Ex-governadores do DF, Agnelo e Arruda, são alvos de mandado de prisão

UOL/PCS

Dois ex-governadores do Distrito Federal são alvos de mandados de prisão temporária em uma operação da PF (Polícia Federal) realizada nesta terça-feira (23). José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz teriam ligação com um esquema que superfaturou o valor das obras do estádio Mané Garrincha, usado na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, em mais de R$ 900 milhões.

"Entre os alvos das ações de hoje estão agentes públicos e ex-agentes públicos, construtoras e operadores das propinas ao longo de três gestões do governo do Distrito Federal", segundo a PF. Além dos mandados contra Arruda e Agnelo, há outros oito de prisão. A 10ª Vara da Justiça Federal do DF, que autorizou a operação, ainda expediu 15 mandados de busca de apreensão e outros três de conduções coercitivas. Todos devem ser cumpridos na região da capital federal.

Esquema A hipótese investigada é que agentes públicos, com a intermediação de operadores de propinas, tenham realizado conluios e assim simulado procedimentos previstos em edital de licitação, diz a instituição em nota. A operação busca investigar uma organização criminosa que teria por objetivo investigar uma organização criminosa que teria fraudado as obras de reforma do Mané Garrincha.

Orçadas em R$ 600 milhões, as obras do estádio custaram mais do que o dobro: cerca de R$ 1,5 bilhão. A PF lembra que, em razão da obra do Mané Garrincha --a mais cara arena da Copa-- ter sido realizada sem prévios estudos de viabilidade econômica, "a Terracap, companhia estatal do DF com 49% de participação da União, encontra-se em estado de iminente insolvência".

"A renovação do estádio, ao contrário dos demais estádios da Copa do Mundo financiados com dinheiro público, não recebeu empréstimos do BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social], mas, sim, da Terracap, mesmo que a estatal não tivesse este tipo de operação financeira prevista no rol de suas atividades".

Estádio grego

O nome da operação é Panatenaiko, referência ao Stadium Panatenaico, sede dos jogos panatenaicos, competições realizadas na Grécia Antiga que foram anteriores aos jogos olímpicos. "A história desta arena utilizada para a prática de esportes pelos helênicos, tida como uma das mais antigas do mundo, remonta à época clássica, quando estádio ainda tinha assentos de madeira", lembra a PF.