Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019
Meio Ambiente
21/01/2019 11:35:00
Cheia do Pantanal pode ser menos rigorosa neste ano
As chuvas previstas para a região devem atingir índices bem menores que os de 2018

CE/PCS

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Porto da Manga (Foto: Imagem de arquivo)

Quem vive ou é produtor de gado no Pantanal sabe bem que ainda é cedo para fazer qualquer prognóstico com relação ao período de cheia. No entanto, com as chuvas bem mais escassas em 2019, se comparado ao mesmo período de 2018, a expectativa de produtores é de que a inundação seja menos rigorosa neste ano.

“Aquele que disser que sabe como vai ser a cheia está mentindo. Porque ainda é cedo e, a cada ano, o fenômeno é diferente. Mas o que a gente sabe é que em Mato Grosso está quase tudo seco, tem gente perdendo lavoura lá, e no ano passado não foi assim, pelo contrário. Então, acredito que se não chover tanto nos próximos meses, neste ano a situação será diferente de 2018”, comenta o produtor rural Carlos Guaritá, dono de uma fazenda na Nhecolândia.

De acordo com a Embrapa, as águas das chuvas de verão registradas entre os meses de outubro e março regulam a dinâmica hidrológica no bioma. Por isso, quando essas são volumosas, como ocorreu no ano passado, espera-se um alagamento relativamente maior e mais duradouro. No bioma, algumas propriedades são afetadas apenas pelas enchentes que sofrem a influência das chuvas; outras sofrem também os efeitos das cheias influenciadas pelo nível dos rios.

No ano passado, nesta mesma época, as chuvas estavam acima da média. No Mato Grosso, produtores já haviam iniciado a remoção do gado, enquanto no Pantanal sul-mato-grossense muitos já se preocupavam com a possibilidade de uma super cheia.

“A cheia do ano passado foi muito grande e prolongada. Só que em outubro e novembro de 2017 nós já tínhamos águas aqui. Uma situação diferente da que foi apresentada em 2018”, afirma o pesquisador Carlos Padovani, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal.

Segundo o meteorologista Natálio Abraão, as chuvas estão abaixo da média em Corumbá e, apesar de haver previsão de pancadas até o fim do mês, a média não deve ser alcançada. “Ainda pode chover em Corumbá e Ladário, mas com certeza ficará abaixo do esperado, que é 145 milímetros”, explica.

Laudo técnico da Embrapa descreve que existem mais de 2,3 milhões de cabeças de gado na região do baixo Pantanal. Com a falta de logística adequada para a movimentação dos rebanhos, o custo total do deslocamento dos animais por meio de comitivas até os pontos de embarque fica em torno de R$ 5 milhões.

As recomendações para os produtores lidarem com o período de cheia rigorosa incluem planejar o arrendamento de pastagens ou a venda dos animais para minimizar os prejuízos, priorizar a saída de vacas com cria ao pé e oferecer suporte de transporte aos bezerros com tratores ou carretas.

RIOS

As chuvas mais escassas também refletem nos nível dos rios. Enquanto no ano passado o nível do Rio Paraguai já estava alto, registrando 598 centímetros na estação São Francisco, em Corumbá, e avançando. Atualmente, o nível do rio está em 526 centímetros.

Em Porto Murtinho, o rio está 393 centímetros, mas em 2018 alcançou 556 centímetros neste mesmo período. Já em Aquidauana, a cota chegou a 519 nesta data no ano passado, enquanto atualmente está em 290 centímetros.

Com relação ao Rio Miranda, que em janeiro de 2018 obrigou fazendeiros da região pantaneira a retirar o gado dos pastos alagados e obrigou a cidade de mesmo nome a ser a primeira a decretar emergência devido ao alto nível atingido pelo rio durante as chuvas do mês de dezembro está em 371 centímetros, quase metade do que estava no ano passado, em 690 centímetros.

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