Quinta-Feira, 25 de Abril de 2024
Política
10/06/2019 11:39:00
Conversas entre Moro e Dallagnol podem "bagunçar" agenda da reforma da Previdência

G1/LD

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A semana que começa com a polêmica sobre a publicação de conversas privadas entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e membros da Lava Jato, tem agenda cheia com votação de "regra de ouro" e reforma da Previdência, que pode perder temporariamente seu protagonismo em Brasília.

O site "The Intercept" publicou ontem uma série de informações, baseadas supostamente em mensagens trocadas entre integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, sugerindo que o então juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso, participou de articulações com o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná. O objetivo seria colaborar para o sucesso da operação.

Em nota, a força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba disse que seus membros foram vítimas de "ação criminosa de um hacker" que praticou os "mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes".

A nota não desmente o conteúdo das mensagens e confirma que os celulares e os aplicativos de mensagens de vários procuradores foram invadidos por um hacker.

Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, confirmou o teor do que chamou de "supostas mensagens" e disse lamentar o anonimato da "pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores".

"Jair Bolsonaro vai ter que tomar cuidado extremos nas suas próximas declarações sobre seu ministro. Tudo indica que o material que, segundo Greenwald conteria 'áudios e vídeos', não foi todo publicado. E nem todos os atores também foram igualmente revelados", observam os analistas da XP Política.

Os ruídos causados por essas conversas têm potencial para "bagunçar" a agenda política, que tem na terça-feira (11) nova reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) para discutir o parecer sobre a "regra de ouro", o projeto de crédito suplementar em que o Executivo pede autorização do Congresso Nacional para quitar, por meio de operações de crédito, despesas correntes de R$ 248,9 bilhões.

No sábado, o presidente Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter para pedir a “aprovação urgente” do crédito suplementar.

Na quinta-feira (13) é esperada a apresentação do parecer do relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados. O relator Samuel Moreira (PSDB-SP), afirmou que apresentará seu parecer na quinta-feira, depois de conversar com governadores.

O encontro com governadores deve acontecer amanhã, e será realizado depois de Moreira ter intensificado as articulações com a equipe econômica e líderes partidários durante o fim de semana.

"A notícia envolvendo o vazamento das conversas de Moro e Deltan pode bagunçar muito o xadrez político, mas neste momento eu não acredito que isso inviabiliza e/ou legitimiza a reforma da previdência. Contudo, esse assunto pode perder o foco no curto prazo - e aquele 'sonho' de aprová-la antes do recesso da Câmara deve ficar só no sonho mesmo", alerta Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.

Mercados internacionais

As bolsas estrangeiras refletem o bom humor dos investidores após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, na noite desta sexta-feira (7), que decidiu suspender a imposição de tarifas sobre as importações do México.

Trump informou ter chegado a um acordo com o governo mexicano para reduzir o fluxo migratório na fronteira.

"As tarifas programadas para entrar em vigor na segunda-feira (10) contra o México ficam suspensas indefinidamente. Em troca, o México aceitou tomar medidas firmes para deter a maré migratória em direção à nossa fronteira sul", disse Trump no Twitter.

Diante disso, as bolsas na Europa e os índices futuros dos EUA operam em alta.

Na China, as exportações chinesas registraram alta em maio, mas as importações caíram forte, possivelmente refletindo a fraca demanda doméstica.

As exportações da China subiram 1,1% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, após terem recuado 2,7% em abril, segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas. Economistas consultados pelo “The Wall Street Journal” previam uma queda de 4,0% nas exportações em maio.

As importações caíram 8,5% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, após alta de 4% em abril. A pesquisa do “The Wall Street Journal” previa uma queda menos acentuada nas importações chinesas, de 4%.

As bolsas na Ásia encerraram em alta.

O índice Nikkei, referência da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 1,20%. Na China, o Xangai Composto subiu 0,86%, enquanto em Shenzhen, o índice de referência subiu 1,33%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 2,27%, e em Seul, o Kospi avançou 1,31%.

Os preços do petróleo operam perto da estabilidade e o minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, na China, salta 3,18%.

Agenda

A agenda de indicadores é fraca nesta segunda-feira. Destaque para dados dos EUA.

O Departamento do Trabalho dos EUA divulga às 11h (de Brasília) a pesquisa de oferta de vagas de emprego na economia em abril. No fim de abril, o número de vagas abertas somava 7,488 milhões.

Empresas

  • A Hapvida fechou no último sábado a compra da empresa Plano América, de Goiás, por R$ 426 milhões, fortalecendo sua presença na região Centro-Oeste.

  • A BR Distribuidora divulgou na sexta-feira que apresentou o pedido de registro de oferta secundária de ações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que deve movimentar cerca de R$ 9 bilhões, considerando o atual valor de mercado da empresa, de R$ 28,9 bilhões. A operação visa reduzir a participação Petrobras, que atualmente detém uma fatia de 71,25% na distribuidora. A expectativa é de que sua participação caia para até 40%.

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