Sábado, 24 de Fevereiro de 2024
Política
18/07/2023 08:45:00
Mesmo tendo duas ministras, MS ainda não viu Lula em 2023
Estado não entrou no roteiro do presidente da República, que já passou por 14 unidades da Federação em sete meses

CE/PCS

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Diferentemente do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL), que visitou Mato Grosso do Sul em cinco oportunidades durante o período em que comandou o Brasil, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda não deu o ar da graça no Estado nos seis meses em que está à frente da Presidência.

Mesmo tendo as ministras Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Aparecida Gonçalves (Mulheres), Mato Grosso do Sul não entrou na atribulada agenda de viagens do presidente Lula.

Ele acumula dezenas de destinos nacionais e internacionais e já passou por Sergipe, Roraima, Mato Grosso, Paraíba, Rio de Janeiro, Maranhão, Ceará, São Paulo, Pernambuco, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul, Bahia e Paraná.

Para o cientista político Tércio Albuquerque, primeiro, o que se pode analisar com relação a essa situação é que é preciso levar em consideração que Lula teve uma diferença de votação significativa contra Bolsonaro aqui no Estado, que fez com que perdesse por uma diferença de quase 19%, ou seja, pouco mais de 280 mil votos.

“Mato Grosso do Sul tem um agronegócio forte que se posicionou a favor de Bolsonaro, e isso pode ser uma justificativa para que o Estado não seja incluído tão cedo na agenda de visitas do Lula”, pontuou.

O segundo aspecto, de acordo com ele, envolve a falta de empenho das próprias ministras. “Elas não se empenharam junto ao governo do Estado, que seria o caminho natural, nem junto à bancada federal para a construção de uma agenda com Lula aqui”, disse.

O cientista político repetiu que está faltando interesse e empenho das próprias ministras e do governo estadual de conseguirem encontrar uma agenda importante para justificar a visita de Lula. Albuquerque frisou que Lula já liberou recursos para o agronegócio e, portanto, seria uma agenda para ele aqui. Outra agenda seria a questão do Minha Casa, Minha Vida, que foi relançado pelo presidente com uma ampliação da capacidade de financiamento.

“Uma outra agenda extremamente relevante seria a questão ambiental, que aí não passaria exatamente pelas duas ministras, mas passaria também por uma agenda importante que envolve aqui o Parque da Bodoquena, que está em plena discussão nacional”, detalhou o cientista político.

“Temos ainda a questão das rodovias que estão cortando o Pantanal de Mato Grosso do Sul, que são de referência internacional e federal. São assuntos importantes que mereceriam a visita dele, portanto, falta empenho”, pontuou Tércio Albuquerque.

Já na avaliação do cientista político Daniel Miranda, o fato de Mato Grosso do Sul ter duas ministras é mais resultado das articulações individuais delas do que da força relativa do Estado no cenário nacional, que tradicionalmente não é grande.

“Faz mais sentido o presidente Lula priorizar estados mais populosos ou que têm aliados mais próximos. Além disso, Lula tem uma agenda internacional muito clara e é bem recebido nos fóruns mundiais. Nesse sentido, é coerente priorizar a agenda internacional também”, opinou Miranda.

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