Metro/PCS
ImprimirA primavera anuncia não só a chegada das flores e do calor, mas também das rinites, bronquites e asmas. O aumento da quantidade de pólen no ar nesta época afeta - e muito - a vida de quem sofre com alergias e doenças respiratórias. As mudanças bruscas de temperatura e o ar mais seco, como temos observado recentemente, pioram ainda mais os quadros. E em tempos de pandemia fica fácil confundir os sintomas das tais “ites” com os da covid-19, o que desperta, claro, preocupação.
O infectologista Marcelo Otsuka, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que é extremamente difícil diferenciar os sintomas dessas mazelas, que podem envolver espirro, tosse, coriza, entre outros. Por isso, outros fatores devem ser analisados. “Se você teve contato com alguém que teve covid-19, por exemplo, provavelmente não deve ser de uma alergia simples”, diz.
Além disso, o especialista aponta que, normalmente, uma alergia tradicionalmente apresenta nariz tampado e escorrendo. “Se desse vez você estiver sentindo também dor de cabeça, mal estar e tosse, deve desconfiar.”
Otsuka lembra que quadros alérgicos tendem a se manifestar da mesma maneira. Por isso, sempre que uma situação diferente do habitual aparecer, o sinal de alerta deve ser ligado. O maior deles é o aumento da temperatura. “Alergias nunca dão febre. Ela é um sintoma clássico de quadros infecciosos”, esclarece.
O otorrinolaringologista e professor da Uninove Araken Quedas aponta ainda que quadros alérgicos contam com fatores desencadeantes, e a duração de seus sintomas é limitada. Já um quadro inflamatório infeccioso, como gripes no geral, resfriados e a até a covid-19, apresentam uma série de sintomas, como dor de garganta, dores no corpo e ela: a febre.
“No quadro respiratório alérgico, o paciente consegue associar alguma situação ao seu estado de saúde, como ter mexido em algum objeto ou produto específico. Ele consegue notar também se o ar naqueles dias está mais seco. Há alguma relação com fatores ambientais”, afirma.
Quedas explica que o ar sempre deve chegar aquecido e úmido aos pulmões, e quanto mais seco e frio o clima, mais difícil será o percurso do oxigênio pelo aparelho respiratório. “Nesse cenário, a passagem do ar do nariz até o pulmão vai exigir mais do nosso organismo.”
Mesmo com as dicas, a dúvida sobre o quadro clínico pode permanecer. Procurar atendimento médico e se submeter ao teste são sempre as melhores opções. O melhor tira-teima é o RT-PCR. Ao terceiro dia de sintomas, a precisão tende a ser maior. Volta às aulas, voltam as doenças
Otsuka, que além de infectologista é pediatra, lembra que a volta às aulas presenciais representa também o retorno das doenças infecciosas clássicas que acometem as crianças. Para acalmar os pais, o especialista diz que, a cada um caso de covid nos pequenos há outros 10 provocados por outros vírus. Ou seja, a chance de não ser covid-19 é bem alta.
“No caso das crianças, não é porque existe um quadro febril que a primeira suspeita será covid. Pelo contrário: pensamos na possibilidade de outros agentes antes dela”, diz o médico.
Algumas situações específicas, porém, fazem com que a contaminação pelo novo coronavírus seja uma possibilidade mais real. “Se os pais têm o diagnóstico e o filho começa a apresentar sintomas, claro que a suspeita se fortalece por uma questão epidemiológica. Nesse contexto, vale lembrar que a vacinação dos adultos acaba protegendo as crianças que ainda não podem se imunizar. Um estudo norte-americano já comprovou que o aumento de infecções por covid em crianças é observada nas regiões em que a cobertura vacinal da população é menor”, cita.
Para proteger os pequenos, além da vacinação em massa, o especialista orienta o uso de máscaras a partir dos 2 anos de idade. A proteção acaba, naturalmente, reduzindo a chance de contaminação de muitas outras doenças respiratórias. No ano passado se observou queda de 30% de infecções virais e bacterianas no mundo, lembra Otsuka. Por isso, vale a pena manter os cuidados já incorporados durante a pandemia e colher os resultados das boas práticas - o que vale para todos, crianças e adultos.