Sexta-Feira, 4 de Abril de 2025
Polícia
26/03/2025 08:06:00
Quatro são presos por suspeita de exploração sexual em MS e SP
Entre os crimes investigados estão favorecimento da prostituição, cárcere privado, estupro e homicídio

FP/PCS

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Policiais durante cumprimento de mandado numa das boates alvo da operação

Quatro pessoas foram presas sob suspeita de integrarem organização criminosa que explorava sexualmente mulheres na cidade de Aparecida do Taboado, distante 528 quilômetros de Coxim, e outras três cidades do interior de São Paulo, Auriflama, Catanduva e Pereira Barreto.

Entre os crimes investigados estão organização criminosa, favorecimento da prostituição, cárcere privado, estupro e homicídio. Uma pessoa segue foragida. Dez vítimas já foram identificadas pela polícia, conforme publicado pelo jornal Folha de São Paulo.

As investigações apontam que as mulheres, com idades entre 18 e 25, todas em situação de vulnerabilidade social, foram atraídas por falsas promessas de trabalho em quatro boates do mesmo proprietário, sendo uma em cada cidade. Os detidos eram donos e gerentes dos estabelecimentos. O advogado Fábio Rodrigues Trindade, que representa os quatro presos, não atendeu as ligações da reportagem.

Inicialmente, a proposta seria para que essas mulheres se prostituíssem na boate, podendo residir nos quartos existentes nos locais. Após aceitarem o convite, elas seriam submetidas a controle psicológico e físico e proibidas de sair dos estabelecimentos, além de ficarem sem alimentos e sem acesso à comunicação.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas boates, na segunda-feira (dia 24). Nos locais, foram apreendidas drogas, armas, celulares e cadernos de contabilidade que mostram a dívida entre as mulheres e os administradores dos locais. Os estabelecimentos foram fechados e lacrados por determinação judicial.

"A promessa era de que o trabalho seria apenas à noite. Porém, quando elas entravam no local, os portões eram trancados e, quando tentavam sair pulando o muro para fugir ou até mesmo comprar alimentos, eram perseguidas, agredidas e levadas de volta para o local", disse a delegada Caroline Baltes, responsável pela investigação.

As investigações começaram no mês passado após uma mulher de 19 anos morrer numa boate de Auriflama. A vítima foi encontrada enforcada e, inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. No decorrer da investigação, essa perspectiva mudou, e a polícia passou a investigar o caso como homicídio ou induzimento ao suicídio.

"Percebemos que havia algo de errado quando as versões dos depoimentos dos envolvidos e das outras mulheres que trabalham na boate começaram a ser conflitantes. Além disso, a avó da vítima relatou que dias antes de a jovem morrer ela teria ligado pedindo socorro", afirmou Baltes.

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